Parnaso portuguez moderno
Na sua célebre Antologia portugueza, os organizadores reuniram o que de mais belo conheciam da poesia nacional desde o século XII; neste Parnaso portuguez moderno, prolongam essa tarefa concentrando-se na geração romântica e pós-romântica que então constituía a literatura contemporânea. Depois de lerem centenas de livros de versos e de copiarem à mão cada composição escolhida, os autores apresentam uma criteriosa seleção, organizada segundo uma disposição étnica que distingue líricos portugueses, brasileiros e galegos. Abre a obra um longo ensaio introdutório sobre as transformações e o destino da poesia moderna.
A coletânea defende uma tese ambiciosa: que a poesia, perante a ciência positiva e a dissolução da metafísica, conserva uma função social e revolucionária, exprimindo as aspirações indefinidas da consciência moderna. Percorrendo a sátira política desde a Idade Média até Camões, mostra como o lirismo português foi sempre instrumento de protesto contra o cesarismo e o clericalismo. Importa por documentar um momento decisivo de renovação estética e nacional.
How it begins
Na Antologia portugueza , onde reunimos tudo quanto conheciamos de mais bello e caracteristico da nossa poesia desde o seculo XII até ao presente, apenas pudemos esboçar os alvores do romantismo com um pequeno excerpto de Garrett; no Parnaso moderno desenvolvemos este periodo com uma escolha do que tem produzido de melhor a geração de rapazes, que em grande parte constitue hoje a litteratura portugueza contemporanea. Muitos foram os chamados e poucos os escolhidos; lêmos centenares de livros de versos; e no processo da nossa pequena escolha observámos as correntes de banalidade que atrophiaram um grande numero de poetas. Para garantirmos o nosso criterio contra o enfado de uma leitura esteril ou contra a surpreza de uma fórma desconhecida, copiámos materialmente pela nossa mão todas as composições d'este livro. Em Portugal todos são poetas, uns em segredo, como um vicio occulto; outros não passam dos limites ephemeros do jornalismo; outros alentam o fogo sagrado até aos vinte cinco annos, como o sr. Herculano; outros têm a coragem de produzir volumes, e o que mais assombra, continuam a publicar versos depois de directores de secretaria, depois de serem embaixadores e ministros. D'isto mesmo proveiu a difficuldade da selecção; de alguns poetas distinctos nada apresentamos, ou porque não pudemos obter as suas obras, ou quando as alcançámos, já este livro estava quasi impresso.
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