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Versos de Bulhão Pato

by Raimundo António de Bulhão Pato

pt · ~100 min at 250 WPM

A obra reúne os versos de Raimundo António de Bulhão Pato, poeta português do Romantismo, e abre-se com "Parisina", livre imitação do poema de Byron, autor do "Child-Harold". Nela acompanhamos os amores proibidos de Parisina e do jovem Hugo, encontro furtivo ao cair da noite que culmina numa traição funesta: adormecida ao lado do esposo, a princesa pronuncia em sonhos o nome do amante, e o príncipe Azo descobre o segredo que precipitará todos na desgraça. Bulhão Pato confessa preferir o título de imitação à tradução, por crer impossível copiar fielmente os arrojos do maior poeta do século.

Mais do que reescrita, o livro é um exercício de sensibilidade romântica: a paixão como força que arrebata e condena, a beleza da natureza, o crime e o remorso inseparável. Importa como testemunho do diálogo da poesia portuguesa oitocentista com a grande lírica europeia, conservando, ainda assim, voz e cor próprias.

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How it begins

A idéa de emprehender a imitação d'este bello romance do autor do Child-Harold, devo-a ao meu amigo. A obra teria ficado em meio, se não fossem os desejos que manifestou de vel-a concluida. É por isto que tomo a liberdade de lh'a offerecer agora que vou dal-a ao publico. Chamo-lhe imitação, porque me parece mais modesto o titulo, posto não seja essa a opinião geral, nem talvez fosse a minha noutras circumstancias. Nesta porém, creio que mais distante ficaria do original, quanto mais escrupulosamente intentasse aproximar-me d'elle. Não sei se faço perceber bem a minha idéa: intendo que interpretar as obras do genio, é mais difficil do que imital-as de longe. A traducção deve ser a copia fiel; e como copiar os arrojos do maior poeta que tem tido este seculo?! Ainda assim procurei, quanto pude, seguir o pensamento predominante da composição, e conservar alguns toques da cor primitiva do quadro. Não sei se o alcancei. Se numa ou noutra passagem menos infeliz da minha tentativa o leitor sentir aquelle sabor particular que se encontra em todas as composições do grande poeta, dar-me-hei por satisfeito; se, como é mais provavel, nem isso houver conseguido, terei o castigo na indifferença publica. Com o que eu decerto conto é com a benevolencia do meu bom amigo para desculpar a insignificancia d'esta offerta ao Seu do coração Janeiro de 1857.

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