O Cortiço
João Romão, um ambicioso taverneiro português, enriquece à custa de Bertoleza, escrava com quem se amiga e a quem explora friamente. Com as economias dela, ergue um cortiço no Rio de Janeiro e o transforma numa próspera engrenagem de aluguéis. À sua volta fervilha uma multidão de moradores — lavadeiras, imigrantes, malandros e amantes — cujas paixões, brigas e desejos se entrelaçam num organismo coletivo que cresce, prospera e se corrompe. Rivalidades, traições e um incêndio devastador marcam a trajetória dessa comunidade, enquanto João Romão ascende socialmente e prepara a ruína final de quem o sustentou.
Obra-prima do Naturalismo brasileiro, o romance retrata o ser humano determinado pelo meio, pela raça e pelo instinto, e faz do próprio cortiço a verdadeira personagem central. Azevedo expõe a exploração, a cobiça e as tensões sociais e raciais do Brasil do fim do século XIX, denunciando como o lucro desumaniza. Sua força está na crítica social lúcida e no vigoroso quadro da vida coletiva.
How it begins
«Os meus honrados collegas do jornalismo, e todos esses grandes publicistas que fatigam o céo e a terra para provar que esta em que estamos é a verdadeira epoca de transição, esses nos dirão se a Providencia andaria bem ou mal se hoje suscitasse um novo Timon da verdadeira raça das furias, que com as pontas viperinas do azorrague vingador lacerasse sem piedade os crimes e os vicios que a deshonram.» (JOÃO FRANCISCO LISBOA, Jornal de Timon . Prospecto—Obras completas, 1° vol., pag. 12.) «Ung oyseau qui se nomme cigale estoit en un figuier, et François tendit sa main et appella celluy oyseau, et tantost il obeyt et vint sur sa main. Et il lui deist: Chante, ma seur, et loue nostre Seigneur. Et adoncques chanta incontinent, et ne sen alla devant quelle eust congé.» (JACQUES DE VORAGINE, La Légende Dorée .
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