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O Livro de Cesario Verde

by Cesário Verde

pt · ~70 min at 250 WPM

Aqui está a descrição:

O Livro de Cesário Verde reúne a obra poética de um dos maiores nomes da lírica portuguesa do século XIX, publicada postumamente em 1887 por iniciativa do seu amigo e admirador Silva Pinto. O volume abre com um comovente testemunho biográfico que evoca a amizade entre ambos, a doença que vitimou o poeta — a tuberculose — e a sua morte prematura aos vinte e oito anos. Reúnem-se nele os poemas mais marcantes de Cesário, entre eles "O Sentimento dum Ocidental" e "Num Bairro Moderno", retratos vivos da cidade de Lisboa, do campo e do trabalho quotidiano.

A poesia de Cesário Verde distingue-se pelo olhar realista e impressionista, pela atenção ao detalhe sensorial e pela tensão entre a vida urbana e o desejo de natureza e liberdade. Incompreendido em vida, é hoje reconhecido como precursor do modernismo português e inspiração declarada de Fernando Pessoa. Esta obra importa por captar, com rara modernidade, a beleza do concreto e a melancolia de uma alma sensível.

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How it begins

Aqui deponho em suas mãos e debaixo dos seus lábios o livro do seu irmão. A minha «obra» terminou no dia em que elle saiu da nossa doce amizade para a nossa terrível amargura: morri, meu querido Jorge—deixe-me chamar assim ao irmão do meu querido Cesario;—morri para as alegrias do trabalho, para as esperanças dos enganos doces! O desmoronamento fez-se, a um tempo, no espírito e no coração! Dos restos do passado deixe-me offerecer-lhe a dedicação extremada: peça-me o sacrifício; e, quando no decorrer da vida, se lembrar de nós, tenha este pensamento consolador:—A grande alma de meu irmão soube impôr-se a um coração endurecido; e tenha este outro pensamento: —Mas não estava de todo endurecido o coração que soube amal-a. Adeus, meu querido Jorge! S.P. 20 de julho de 1886. Encontrámo-nos pela primeira vez no Curso Superior de Lettras. Foi em 1873. Cesario Verde marticulara-se no Curso em homenagem ás Lettras, como se as Lettras lá estivessem—no Curso. Eu matriculara-me, com a esperança de habilitar-me um dia á conquista de uma cadeira disponivel. Encontrámo-nos e ficámos amigos—para a vida e para a morte. Para a vida e para a morte. Tenho de fallar de mim, se eu pretendo fallar de Cesario Verde.

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