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Obras Completas de Luis de Camões, Tomo III

by Luís de Camões

pt · ~305 min at 250 WPM

Ôbolos rios que vão por Babylonia reúne, neste terceiro tomo das Obras Completas de Luís de Camões, a poesia lírica do maior poeta português. O volume abre com as Rimas — redondilhas, esparsas e composições menores — entre as quais brilha a célebre paráfrase do salmo "Sôbolos rios", em que o poeta, exilado e saudoso, chora junto aos rios da Babilónia as lembranças de Sião. Penduram-se nos salgueiros os instrumentos do canto, e o desterro torna-se meditação sobre o tempo que tudo gasta. A edição, fixada por Barreto Feio e Gomes Monteiro, preserva a grafia antiga e a música original dos versos.

Mais do que lamento pessoal, esta poesia transforma a saudade, o desengano e a mudança em reflexão universal sobre a fragilidade da ventura humana e a aspiração da alma a uma pátria celeste. Importa porque revela o Camões íntimo, para lá d'Os Lusíadas: lírico de assombrosa musicalidade e fundo pensamento, cujos versos moldaram para sempre a sensibilidade da língua portuguesa.

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Mantivemos a grafia usada na edição impressa, tendo sido corrigidos alguns pequenos erros tipográficos evidentes, que não alteram a leitura do texto, e que por isso não considerámos necessário assinalá-los. Mantivemos inclusivamente as eventuais incoerências de grafia de algumas palavras, em particular quanto à acentuação. CLASSICOS PORTUGUEZES. TOMO III. CAMÕES. III. PARIZ.—NA OFFICINA TYPOGRAPHICA DE FAIN E THUNOT, Rua Racine, 26, junto ao Odeon. OBRAS COMPLETAS DE LUIS DE CAMÕES, CORRECTAS E EMENDADAS PELO CUIDADO E DILIGENCIA DE J. V. Barreto Feito e J. G. Monteiro. TOMO TERCEIRO. LISBOA. ACHA-SE TAMBEM EM PARIZ, NA LIVRARIA EUROPEA DE BAUDRY, 3, quai Malaquais, près le pont des Arts. 1843 {6} {7} RIMAS. {8} {9} RIMAS. REDONDILHAS. S ôbolos rios que vão Por Babylonia, me achei, Onde sentado chorei As lembranças de Sião, E quanto nella passei. Alli o rio corrente De meus olhos foi manado; E tudo bem comparado, Babylonia ao mal presente, Sião ao tempo passado. Alli lembranças contentes N'alma se representárão; E minhas cousas ausentes Se fizerão tão presentes, Como se nunca passárão. Alli, despois d'acordado, Co'o rosto banhado em ágoa, Deste sonho imaginado, Vi que todo o bem passado Não he gôsto, mas he mágoa. {10} E vi que todos os danos Se causavão das mudanças, E as mudanças dos anos; Onde vi quantos enganos Faz o tempo ás esperanças.

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