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O Guarany: romance brazileiro, Vol. 1 (of 2)

by José Martiniano de Alencar

pt · ~245 min at 250 WPM

O Guarany, ambientado em 1604 às margens do rio Paquequer, na Serra dos Órgãos, narra a vida do fidalgo português Dom Antônio de Mariz, que ergueu uma casa fortificada no interior fluminense. Em torno dele giram a filha Cecília, a doce Ceci, e Peri, guerreiro da tribo goitacá que se devota inteiramente a ela e a defende com lealdade absoluta. Entre aventureiros ambiciosos, traições internas e a ameaça dos índios aimorés, o amor silencioso e heroico de Peri por Cecília conduz a história até seu desfecho dramático, marcado por sacrifício e nobreza.

A obra é um marco do Romantismo e do indianismo brasileiro, idealizando o índio como símbolo de pureza, coragem e fidelidade na construção de uma identidade nacional. Alencar funde paisagem exuberante, lenda e história colonial, transformando a natureza tropical em cenário grandioso dos dramas humanos. Sua importância está em fundar o mito de origem do Brasil no encontro entre o indígena e o europeu, inspirando inclusive a célebre ópera de Carlos Gomes.

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Mais do que podia fiou de si o autor. Relendo a obra depois de annos, achou elle tão mau e incorrecto quando escrevera, que para bem corrigir, fora mister escrever de novo. Para tanto lhe carece o tempo e sobra o tedio de um labor ingrato. Cingio-se pois ás pequenas emendas que toleravão o plano da obra e o desalinho de um estylo não castigado. INDICE PRIMEIRA PARTE OS AVENTUREIROS I.—Scenario II.—Lealdade III.—A bandeira IV.—A Luta V.—Loura e morena VI.—A Volta VII.—A prece VIII.—Tres linhas IX.—Amor X.—Ao alvorecer XI.—No banho XII.—A onça XIII.—Revelação XIV.—A india XV.—Os tres SEGUNDA PARTE PERY I.—O Carmelita II.—Yara! III.—Genio do mal IV.—Cecy V.—Vilania VI.—Nobreza VII.—No precipicio VIII.—O bracelete IX.—Testamento X.—Despedida XI.—Travessura XII.—As mensagens de Pery XIII.—Trama XIV.—A chacara Notas PRIMEIRA PARTE OS AVENTUREIROS I SCENARIO De um dos cabeços da Serra dos Órgãos deslisa um fio d'agua que se dirige para norte, e engrossado com os mananciaes, que recebe no seu curso de dez leguas, torna-se rio caudal. É o Paquequer : soltando de cascata em cascata, enroscando-se como uma serpente, vai depois se espreguiçar na varzea e embeber no Parahyba, que rola magestosamente em seu vasto leito. Dir-se-hia que vassallo e tributario desse rei das aguas, o pequeno rio, altivo e sobranceiro contra os rochedos, curva-se humildemente aos pés do suzerano.

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