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Costumes Madrilenos / Notas de um Viajante

by S. de Magalhães Lima

pt · ~105 min at 250 WPM

A viagem tem, como todas as cousas d'este mundo, a sua pequena philosophia e as suas theorias, mais ou menos complicadas, e os seus progressos mais ou menos notaveis.A viagem tem, como todas as cousas d'este mundo, a sua pequena philosophia e as suas theorias, mais ou menos complicadas, e os seus progressos mais ou menos notaveis.Em "Costumes Madrilenos / Notas de um Viajante", Sebastião de Magalhães Lima reúne crónicas e impressões colhidas ao longo das suas viagens, com especial atenção a Madrid e à vida espanhola. Partindo de um elogio entusiasta da viagem como fonte de experiência, análise e crítica, o autor percorre os caracteres dos povos europeus — alemães, italianos, franceses, ingleses, espanhóis e portugueses — e detém-se depois na comparação entre Portugal e Espanha, entre Lisboa e Madrid, retratando costumes, política, sociedade e os pequenos defeitos comuns a ambas as nações vizinhas.

A obra vale como testemunho do olhar cosmopolita e republicano de um intelectual português do final do século XIX, atento à ideia de que os povos são produto do meio em que vivem. Através da ironia, do retrato de costumes e da reflexão sobre identidade nacional, Magalhães Lima convida o leitor a viajar, a observar e a comparar, fazendo da viagem um exercício de cultura, de liberdade e de progresso.

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How it begins

A viagem tem, como todas as cousas d'este mundo, a sua pequena philosophia e as suas theorias, mais ou menos complicadas, e os seus progressos mais ou menos notaveis. Viajar não é uma variedade de sensações apenas; mas ainda mais, e principalmente, {8} uma fonte inexgotavel de boa e salutar experiencia, um manancial perenne de vividos enthusiasmos por tudo quanto é bello, novo e original, e uma origem fecunda de analyse, de observação e de critica, que de ordinario raro é de encontrar-se no paiz onde nascemos, ou na cidade onde residimos. E assim é realmente que, se tu quizeres admirar a seriedade nos costumes, a robustez no corpo, a soberania na guerra, o metaphysico na sciencia, o imperio na familia, a fidelidade nos affectos, e a superstição na religião—tu irás á Allemanha. Se pelo contrario, tu desejares vêr a frouxidão no corpo, o indifferentismo em politica, a lassidão nos costumes, a perversão nos principios, a fraqueza na sciencia, o theologismo na religião, o lyrismo na vida—tu, sem mais trabalhos nem violencias, ficarás em Portugal. Mas se tu, embora não te repugne a debilidade physica e a pusillanimidade de espirito, quizeres o ideal da arte e a architectura da sciencia—então procurarás Italia.

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