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Dom Casmurro

by Machado de Assis

pt · ~280 min at 250 WPM

Uma noite no trem para o Engenho Novo, um rapaz amuado apelida o narrador de Dom Casmurro, alcunha que pega entre os vizinhos e amigos. Já velho e solitário, ele reconstrói a casa de sua infância e resolve escrever suas memórias, para atar as duas pontas da vida. Volta então à célebre tarde de novembro em que, ainda adolescente na rua de Matacavalos, descobre seu amor por Capitu, a menina dos olhos de ressaca, vizinha de quem o destino o aproxima. O livro acompanha esse amor até o casamento, a amizade com Escobar e a suspeita de traição que envenena tudo.

Narrado em primeira pessoa por um homem corroído pelo ciúme, o romance é uma obra-prima da ambiguidade: nunca sabemos se Capitu de fato traiu, pois só ouvimos a versão de Bento. Machado de Assis transforma o leitor em juiz, explorando memória, inveja, autoengano e a impossibilidade de recuperar o passado. É um dos maiores clássicos da literatura brasileira.

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How it begins

Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéo. Comprimentou-me, sentou-se ao pé de mim, falou da lua e dos ministros, e acabou recitando-me versos. A viagem era curta, e os versos póde ser que não fossem inteiramente maus. Succedeu, porém, que como eu estava cançado, fechei os olhos tres ou quatro vezes; tanto bastou para que elle interrompesse a leitura e mettesse os versos no bolso. —Continue, disse eu accordando. —Já acabei, murmurou elle. —São muito bonitos. Vi-lhe fazer um gesto para tiral-os outra vez do bolso, mas não passou do gesto; estava amuado. No dia seguinte entrou a dizer de mim nomes feios, e acabou alcunhando-me Dom Casmurro. Os visinhos, que não gostam dos meus habitos reclusos e calados, deram curso á alcunha, que afinal pegou. Nem por isso me zanguei.

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