Contos
Contos reúne a ficção breve que Eça de Queirós dispersou por jornais e revistas ao longo da vida, recolhida postumamente pelos seus editores para a salvar do esquecimento. O volume abre com "Singularidades de uma rapariga loura", em que um viajante numa estalagem do Minho escuta a confissão de Macário, um homem de canhões de veludilho, sobre um amor desencantado. Seguem-se outras narrativas célebres, como "Civilização" — embrião de A Cidade e as Serras —, "José Matias", "A aia" ou "O tesouro", entre o conto realista, a fantasia e a parábola.
Mais do que peças menores, estes contos revelam a ironia, a melancolia e a prosa luminosa que definem Eça. Neles desfilam os seus grandes temas: a crítica à hipocrisia social e ao provincianismo português, o contraste entre civilização e natureza, a desilusão amorosa e a ânsia espiritual. Pela perfeição da forma e pela diversidade de tons, Contos é uma das portas mais felizes para entrar na obra do maior prosador português do século XIX.
How it begins
A propriedade literária e artística está garantida em todos os países que aderiram à convenção de Berne—(Em Portugal, pela lei de 18 de março de 1911. No Brasil pela lei n.º 2.577 de 17 de Jan. de 1912.) {VII} A obra dispersa de Eça de Queiroz, desde os seus primeiros folhetins na Revolução de Setembro e na Gazeta de Portugal até à sua assídua colaboração na Gazeta de Notícias , do Rio de Janeiro, e na Revista Moderna , é muito vasta, muito variada e encerra algumas das mais maravilhosas páginas do grande e saudoso escritor. Os seus editores começam, com a publicação do presente volume, a compilação da obra póstuma e dispersa , recolhendo cuidadosamente êsse riquíssimo espólio, para o salvar, pelo livro, do esquecimento a que o condenariam a dispersão das fôlhas diárias e a sua efémera vida. Os Contos compreendem todos os escritos dêste género que Eça de Queiroz nos deixou, a partir das Singularidades duma rapariga loura . Os seus primitivos escritos na Revolução e na {VIII} Gazeta de Portugal , obra mixta de fantasia e de crítica, seguir-se hão a êste em outro volume, já no prelo, e a que uma feliz indicação do snr. Jaime Batalha Reis [1] nos revelou o próprio título que o autor determinara dar-lhe: Prosas Bárbaras .
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