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A Revolução Portugueza: O 5 de Outubro (Lisboa 1910)

by Francisco Jorge de Abreu

pt · ~240 min at 250 WPM

De todos os relatos surgidos na imprensa sobre a queda da monarquia, Francisco Jorge de Abreu reconstitui aqui os pormenores da revolução que implantou a República em Portugal nos dias 4 e 5 de outubro de 1910. Não como revolucionário, mas como testemunha atenta que tomou apontamentos, ouviu informações e recolheu depoimentos de autênticos conspiradores, o autor narra a organização do movimento e o relatório da batalha: as bombas fabricadas em segredo, o emissário que não apareceu, a artilharia da Rotunda, a adesão dos navios «Adamastor» e «S. Rafael», o bombardeamento do paço, a fuga do rei e a derrota das baterias de Queluz.

A obra mostra como o triunfo se alcançou apesar do desânimo dos dirigentes, da falta de armamento e da ausência de coordenação no momento supremo — vencendo tanto pelo heroísmo de meia dúzia de patriotas como pela inércia e cepticismo de um inimigo já convencido da perda irreparável. Importa por preservar episódios inéditos, restituindo à história documentada as nuances humanas, o medo e a coragem, de um dos momentos decisivos de Portugal.

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How it begins

De todos os relatos que vieram á tona da imprensa portugueza sobre episodios do movimento que implantou a Republica no nosso paiz, conclue-se nitidamente esta coisa curiosa: raros foram os pontos do programma revolucionario que se cumpriram á risca. No emtanto, o movimento triumphou. As longas horas de espectativa dolorosa, que uns passaram a desafiar a morte e outros a contas com a torturante ignorancia da verdade, desfecharam na manhã de 5 de outubro em delirante estralejar da victoria—alcançada simultaneamente pelo esforço heroico de meia duzia de patriotas e a inacção de centenares de descrentes. O movimento triumphou apesar de tudo: da ausencia, no momento supremo, de elementos de coordenação revolucionaria, do desanimo que bem cedo invadiu quasi a totalidade dos dirigentes da campanha, da falta sensivel de armamento destinado aos carbonários e outros civis. Na madrugada de 4 de outubro, á hora em que um troço de populares e de soldados arrastava pela Rotunda o enthusiasmo dos primeiros momentos de combate bem succedido, ainda n'uma casa dos lados da Sé duas creaturas devotadissimas fabricavam bombas que um emissario da Revolução d'ahi a pouco devia ir buscar. Mas o emissario não appareceu e um dos «fabricantes» sahiu á rua a inteirar-se da situação. Cahiu logo nas garras da policia...

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